quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cuidado, você pode estar acomodado

Políticos que guardam dólar na cueca, que são donos de mansões milionárias e até castelos, que dão passagens aéreas para os mais chegados, que compram vacas de meio milhão de reais, que não ligam para a opinião pública, que recebem um dinheirinho extra com esquemas, que contratam parentes pra serem funcionários do Estado e que sempre arranjam um jeito suspeito para se safar dos problemas não te assustam mais?
Na hora do jornal, quando começam as notícias de corrupção você troca de canal?
Você pula as páginas das revistas e jornais quando o tema é a depravação do sistema político?
Cuidado, você pode estar acomodado.

A juventude, segundo dizem, deveria ser a força motriz dos movimentos populares. No entanto, não só os jovens vêem os problemas. Os adultos que tiveram maior experiência deveriam ser os mais revoltados pela lógica da coisa, mas não são. Resta aos jovens mesmo a chance de tentar mudar as situações. Há uma grande nolstagia em relação ao tempo em que o movimento estudantil era forte, ao movimento hippie e aos jovens que lutaram por seus ideais. Naquela época as coisas eram bem piores: ainda tinha censura, tortura e repressão bem maior, mas isso não desestimulou os militantes; pelo contrário, foi isso que os fortaleceu. Será que o fato de que ‘o que é proibido é mais gostoso’ também se aplica aqui? Quando a proibição era enorme, mais gente lutou e morreu em prol de suas causas. Agora que existe mais civilidade e nenhuma conseqüência séria por lutar, pouquíssimos o fazem apesar da disparidade do número das causas válidas que existem (que é muito grande). Por quê? Pode ser por preguiça ou indiferença ou pode ser que a conjuntura atual esteja tão perfeita que não há motivos para afrontar. Difícil ser a última opção. A questão é que os movimentos foram desacreditados e o espírito de revolução adormecido.

As pessoas dizem que é porque são apolíticas ou que querem cuidar de suas vidas sem ligar para a política. Não existe essa história de apolítico. Como disse João Ubaldo Ribeiro, um indivíduo que se diz apolítico é, na verdade, político conservador (e acha que não há necessidade de mudanças) e na maioria das vezes não tem consciência de sua função política ou é comodista ou está com a vista curta. Quase mais ninguém protesta hoje em dia: se o preço da carne subiu sem motivo e o seu salário continuou o mesmo, você não reclama, não importa que não seja justo, você pode viver sem se importar; se alguém fuma infectando o ar ao seu redor, você nem questiona, você pode viver sem se importar; se o dinheiro arrecadado por uma festa feita por um grupo, simplesmente, foi enfiado num lugar desconhecido, você continua imóvel, você pode viver sem se importar; quando um político desfalca os impostos que você pagou, você não faz nada, você pode viver sem se importar. É possível viver sem se importar e o pior, é possível se acostumar.

É preciso saber a razão pela qual as pessoas não se importam. Acontece que a corrupção, os problemas graves e as situações chatas não são interessantes. É possível viver normalmente sem nem pensar nisso, é só esquecer, tem tanto assunto mais legal por aí. É possível viver sem notícias de fofoca também, mas aí você ficaria por fora nas rodinhas sociais e, claro, é legal saber que celebridades também têm defeitos e que são gente sem deixar de viver no ‘glamour’; bom, é por isso que devem fazer sucesso.
A razão de tanta falta de ação e passividade? O ser humano é egoísta, egocêntrico e preguiçoso. Só quando algo o afeta individualmente, especificadamente e diretamente ele sente vontade de agir. Lutar por uma causa coletiva não costuma ser motivador.

Como mudar o mundo? Como fazer uma revolução? Como fugir do comodismo?
Não sei a resposta. /Comofas?

Na impossibilidade de mudar o mundo, vamos mudar a nossa universidade, ou pelo menos a nossa faculdade? Ou na impossibilidade de mudar, vamos pelo menos tentar ?

3 comentários:

Anônimo disse...

falar é tão fácil...

Gustavo "Suna" Lyra disse...

Sabe a verdade? As mudanças que nós fazemos hoje são muito mais significativas e mais profundas. Somos nós, os jovens, que dominamos a internet, o maior meio de comunicação.
Nós fazemos flash mobs de 30 mil pessoas no meio de paris por causa da diversão. Se fosse realmente necessário que saíssemos à porta do governo pra reclamar, acha que ficaríamos parados em casa? Eu não creio nisso. Creio que a revolução que nós fazemos é a revolução correta, mudamos o modo das pessoas pensarem, já percebeu que, de tempos em tempos, a globo exibe vídeos muito famosos no youtube? E o responsável por isso somos nós, somos nós que guiamos a direção do mercado e não o contrário. Nós temos uns 10 mil anos de história nas nossas cabeças à nossa disposição. Qualquer estudante do ensino médio hoje sabe muito mais do que a maioria das pessoas aprenderia na vida inteira há dois séculos atrás. Essa revolução é a que dá certo e não a revolução armada. Olha a revolução cubana, maior exemplo aí e o que é cuba hoje? A única revolução que dura é a revolução cultural, que muda a cabeça das pessoas e o modo delas de ver o mundo e é isso que nós fazemos. Se não fossem os jovens na internet, ela teria sido um fiasco, ou talvez fosse só uma ferramenta militar.

Luiz Felipe Leal disse...

acho ótimo que se bata de novo na tecla, infinitamente. vale mais pelo ato do que pelo grito. e é bom!